O papel social do Canal de Denúncias na violência contra a mulher

Criada para proteger as mulheres vítimas de violência, a Lei Maria da Penha completa 12 anos no mês de agosto. Ainda que os casos de violência contra a mulher tenham ganhado ótica jurisprudente, as estatísticas e acontecimentos recentes demonstram que, mesmo com o amparo da lei, as mulheres seguem sendo as grandes vítimas nas narrativas de violência e homicídio.

Como nos demais anos, 2018 foi marcado por ocorrências que ganharam grande notoriedade. O assassinato de Marielle Franco e, mais recentemente, o caso de Tatiane Spitzner – encontrada morta após cair da sacada de seu apartamento – deram respaldo para discussões ainda mais aprofundadas sobre o tema – que, por muitas vezes, não recebe atenção expressiva frente às estatísticas levantadas em relação à violência contra a mulher.

Segundo o Atlas da Violência, divulgado no segundo semestre de 2018, somente em 2016, 4.645 mulheres foram assassinadas no País – o que representa uma taxa de 4,5 homicídios para cada 100 mil brasileiras. Ainda de acordo com o Atlas da Violência, em dez anos observou-se um aumento de 6,4% nos casos de homicídio de mulheres.

Embora a questão pareça distante do mundo corporativo, os dados sobre a violência contra a mulher também exercem impacto altamente prejudicial à economia. Segundo pesquisas da Universidade Federal do Ceará e do Instituto Maria da Penha, as vítimas perdem, em média, 18 dias de trabalho ao ano apenas por consequência direta das agressões domésticas sofridas. As consequências na carreira destas mulheres envolvem menor estabilidade, menos tempo de permanência em seus cargos e, também menor produtividade no exercer de suas tarefas.

A comoção pública manifestada frente aos acontecimentos dá sinais de que a violência contra a mulher está deixando de ser naturalizada. Assim, se a legislação e as políticas públicas ainda não mostram-se verdadeiramente eficazes no combate às violências de gênero, encontrar alternativas que eduquem, difundem direitos e conscientizem sobre a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de enfrentamento é medida fundamental para contribuir com a preservação de vidas.

O dever da iniciativa privada

Uma organização é composta por pessoas. Assim, gêneros, classes sociais, crenças e vivências completamente distintas se misturam, dando origem à realidade de cada colaborador. Ainda que não haja responsabilidade direta, uma empresa pode tornar-se grande agente na transformação pessoal de cada um. Através da disseminação de orientações e do oferecimento de suporte, é possível contribuir positivamente não somente no ambiente de trabalho como, também, nas questões vividas externamente, fora do espaço da organização.

São escassas as empresas que olham para o que acontece com os colaboradores além das suas instalações – principalmente quando o assunto refere-se à violência contra as mulheres. Porém, na contramão desta realidade, grandes empresas referências em inclusão e diversidade já mostram-se atentas ao tema e, assim, vêm criando estruturas internas de proteção à mulher. As medidas desvendam cada vez mais qual o papel da iniciativa privada na mitigação dos casos: aquele que descarta a omissão e que tem a consciência de que é possível salvar vidas com simples ações recorrentes.

Como o Canal de Denúncias pode fazer a diferença nas estatísticas?

A principal preocupação das companhias engajadas no combate à violência de gênero é a de que suas colaboradoras sejam vítimas do feminicídio, tendo suas vidas interrompidas por omissão de toda uma sociedade. Desta forma, toda e qualquer medida que estabeleça um canal de comunicação para além dos fatores internos da empresa pode estabelecer um grande elo de suporte e apoio a quem sofre com a violência doméstica.

A Magazine Luiza, por exemplo, que já possuía um Canal de Denúncias voltado para desvios de comportamento ético e irregularidades frente a políticas internas, regulações e leis, após vivenciar uma experiência de feminicídio, criou com apoio especializado uma nova linha de comunicação voltada para casos de violência doméstica envolvendo suas colaboradoras.

O Canal da Mulher promove um ambiente seguro para a manifestação, onde as colaboradoras interagem com uma equipe também de mulheres, preparada para o ótimo acolhimento e direcionamento de cada caso.

Como a sua empresa cuida deste tema? Qual suporte oferece para combater os casos de violência contra a mulher?

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